quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sexta Olimpíada de Redação de Jundiaí

Dividida em quatro categorias, a Olimpíada de Redação de 2010, promovida em Jundiaí, conta com o tema “Solidariedade, tolerância, sentimentos e outros valores de vida”.
Abaixo, seguem as redações de dois alunos do 1° ano do Cecília, que estarão participando este ano.
Espero que gostem e tenham uma boa leitura :D

Categoria Juvenil (de 15 a 17 anos)

“Relembrando uma vida”


Esta é mais uma véspera de natal em que passo sozinha neste asilo que cheira a doença. Desde que eu ficara viúva, meus filhos acharam que me abandonar em uma casa de repouso era a melhor opção - para eles. Nunca pensei que aos meus sessenta e cinco anos de idade estaria aqui, comemorando uma data tão especial e significativa com a enfermeira, mas depois de quase quatro anos acabei me acostumando.
Lembro-me claramente da última vez que tive uma ceia em família, foi quando João, meu falecido marido, ainda estava vivo. Ah, como éramos felizes! Ríamos à toa em volta da mesa farta, conseguida com o esforço de todo um ano, vendo fotos antigas e contando aos nossos quatro filhos como havíamos nos conhecido.
Conheci o amor de minha vida no Aras que meu pai tinha, João cuidava dos cavalos. Era incrível a intimidade que ele tinha com esses adoráveis animais. Quando papai morreu, eu tinha apenas dezessete anos e nenhuma noção sobre cavalos, então convidei João para assumir a gerência do empreendimento - minha mãe morrera há alguns anos e eu fiquei com o recanto de herança.
Nunca irei esquecer-me de como ele foi gentil comigo. Perder as pessoas que você ama não é fácil, e creio que ele sabia bem disso: era órfão. João habilitou-se a cuidar de tudo para mim, até porque é bem mais fácil alguém com vinte anos organizar um negócio. Ele sempre esteve ao meu lado e com isso, acabamos ficando cada vez mais próximos. Depois de três anos estávamos casados.
Construímos uma linda família juntos e tudo ia muito bem, até que, há 15 anos, nossa filha mais velha morreu após ter uma complicação em uma lipoaspiração.
Aquilo foi um choque: minha filha querida, que eu criara com tanto amor e carinho, com medo de envelhecer, utilizando todos os meus para ser eternamente jovem, indo contra o ciclo natural de tudo, completamente diferente de mim.
Com os filhos já crescidos, vivíamos em nosso cantinho, felizes, tolerantes e pacientes, respeitando os limites que a velhice nos impunha. Porém, o fim é inevitável e assim, meu marido tivera uma doença grave e falecera.
Desse dia em diante, meu mundo perdera um pouco de sua vivacidade e passei a ser um problema para meus quatro filhos restantes, todos tinham suas famílias, suas carreiras, não tinham tempo para tomar conta de uma idosa viúva com problemas de saúde. Foi quando decidiram me colocar neste asilo, mas raramente alguém vem me visitar.
Finalmente, o relógio rústico encostado na parede dá suas doze badaladas. Vozes soam alegremente no corredor do asilo: “Feliz Natal!!”, tornando minhas lembranças em momentos solidários e prazerosos onde todos nos abraçamos sorridentes, esquecendo um pouco de toda a tristeza que nos cerca, afinal, estar só é apenas a ótica de como vemos a vida que levamos.

Por Giovanna, 1°C



"Natal de recordações"

Lá estava eu novamente. Sentado em minha poltrona, quieto e pensativo, olhando para além da janela. O pôr-do-sol brilhava intensamente sobre o jardim florido do velho asilo municipal onde residia. Tudo parecia estar perfeitamente normal, inclusive, era véspera de natal e todos estavam felizes da vida, pois era um dia muito especial. Porém nem para todos...
Natal para mim não era somente Papai Noel e presentes e sim estar junto da família, estar junto das pessoas de quem amávamos, mas no fundo sentia que isso não aconteceria, pelo menos para mim. Olhei para o espelho no pé de minha cama e pude ver apenas um “eu” velho e acabado de sessenta e poucos anos, parecia não ser muito, mas para mim aquilo era tudo. Durante toda minha vida tive medo deste dia, era assustador, mas enfim ele chegara.
Uma lágrima escorreu por entre as curvaturas de meu rosto a procura de lembranças que ficaram marcadas em todos esses anos que vivi.
Se quer saber, o melhor presente que tinha ganhado em minha vida inteira havia chegado em abril de 1972. Ter um filho era um sonho que sempre tive, mas era algo que segundo os médicos era impossível de se tornar realidade, mas com muita fé eu e minha mulher havíamos ganhado. Mas mal sabíamos o que estaria por vir.
Após o nascimento de meu filho fiquei muito feliz, emocionado. Mas as expressões vazias e tristes do doutor vindo em minha direção gelaram meu peito. Lembro-me como se fosse hoje. Seus olhos estavam vermelhos e lacrimejados e ficaram ainda mais após me contar. O grito pôde ser escutado por todo o hospital, um grito vindo do fundo de minha garganta, querendo não aceitar a terrível notícia de que tinha acabado de ouvir. Minha mulher, minha companheira, tinha falecido no parto.
Dentre a profunda desolação eu podia contar com uma pessoa muito especial, seu nome era Clara. Uma linda e doce mulher que conhecia desde pequeno e que sempre me apoiava. Crescemos e vivemos juntos e desde então nos tornamos grandes amigos... Grandes amigos. Fora graças a ela que conhecera a mulher que se tornaria minha esposa. Naquela época, as coisas pareciam tão fáceis, o futuro não me preocupava, queria mesmo era “curtir” a vida.
Passava a maior parte do tempo com as pessoas de quem eu gostava e tentava fazer de todos os momentos algo que eu lembrasse sempre. Não perdia nenhum passeio com os amigos e tentava namorar o máximo possível, com moderação, é claro.
Meus lábios sorriram.
Crescer era algo que me assustava. Podia ser livre para tudo, fazer o que quiser, mas sentia receio de que a vida me guardasse muitas coisas as quais não sabia se estaria preparado para recebê-las. Não era apenas o fato de envelhecer fisicamente, algo que era impossível de se conter, mas sim envelhecer o meu “eu interior”, era este que sentia medo de crescer e de enfrentar o que o mundo pairava sobre nós.
Conforme o tempo foi passando, fui percebendo que a velhice nada mais era que uma experiência importante em nossas vidas, uma fase vitoriosa para quem chegasse nela, mas “será que sou vitorioso?”. Não cheguei aqui por que fui deixado e sim vim por vontade própria. Já estou velho e ninguém ficaria em casa cuidando de mim, havia coisas melhores para fazer. Mas não posso reclamar, aqui sou muito bem tratado e tenho tudo o que preciso, ou quase tudo...
Logo em seguida a porta de meu quarto se abriu e uma figura alta entrou no quarto, mas antes que pudesse ver quem era uma criancinha veio correndo até mim.
- Vovô!
Retiro o que pensava. Com certeza, sou vitorioso. Não importa onde eu estiver sempre vai haver gente que me ame. Passei por várias coisas nessa vida e vejo que tudo valeu à pena, pois tudo o que pensava estava errado, há, sim, pessoas que se importam comigo.
Peguei meu neto no colo e olhei no relógio da cabeceira. Os ponteiros marcavam meia noite.
- Feliz natal! Meu pequeno.

Por Leonardo, 1°B

2 comentários:

  1. o meu vai ganhar desses aí

    afinal q escola vcs estudam

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  2. Meu irmão foi o 2º colocado na categoria mirim.. se quiser postar a redação dele no seu blog me envie um email: gui-jacob@hotmail.com

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